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600 anos da Morte de D. Pedro I

French translation below

Há cento e cinquenta anos (24 de setembro de 1834) morreu no Palácio de Queluz, por coincidência, no quarto em cujas paredes se vêem as grotescas cenas do Quixote, de Cervantes - D. Pedro de Alcântara, primeiro do nome no Império do Brasil, quarto Pedro dos reis portugueses.

Contando-lhe a vida, faz meio século, num livro de juventude, considerei-o um herói precoce, que galgou a imortalidade cavalgando as grandes crises do século, por isso, justamente, "O Rei Cavaleiro". As crises foram da liberdade contra o absolutismo, na América e na Europa. Aqui, rompeu com a tradição, aceitando a aclamação nacional. Lá, desligou-se do passado, tomando a causa da Constituiçao. Vem dai o fato, único no mundo, de ser o estadista (à frente das multidões que, ufano chefe das revoluções permanentes, tem o seu monumento nas duas margens do Atlântico, no Rio de Janeiro a cavalo - na Praça Tiradentes e, em Lisboa, no Rossio, ereto sobre a coluna coríntia.

Ninguém o igualou no culto dos povos desentendidos em 1822, na língua comum. Aqui, promovendo a Independência, acolá, impondo a Lei; com a circunstância de pôr no trono os filhos, D. Pedro II no Brasil, D. Maria II em Portugal. Juntou à previsão o entusiasmo. Selou com a vitória o destino. Soube comandar de espada na mão a independência dos brasileiros e a transformação dos patrícios, soldado impetuoso, quer na colina do Ipiranga, quer no cerco do Porto, em ambas as conjunturas ungido pela sorte, que é a ordenança do valor. De um lado (eis o seu legado!) consolidou a unidade brasileira, de um outro, impeliu Portugal para diante, rasgando na antiga colônia e na metrópole decadente, os diplomas de antanho, em nome das luzes da Civilização.

Fundando o Império, guiado peia sabedoria de José Bonifácio de Andrada e Silva, traçou entre a era morta e os novos tempos, a ponte da concórdia em vez de abrir como alhures os abismos da divisão é da guerra. Sem a solução monárquica de 1822, proclamado D. Pedro I Imperador, retalhar-se-ia o Pais em Estados soberanos, num desafio à posteridade, que dificilmente o reuniria, se pudesse fazê-lo um dia, na imagem integra da Pátria. Do mesmo modo, abdicando em 1831 a coroa americana, arrasou no Reino os arsenais da Idade Média, implantando, semelhantes às liberdades que outorgara ao Brasil (Carta de 1 824), as liberdades que vigoraram em Portugal (Carta de 1826).

Não importam os erros políticos que acabaram encurtando o seu governo, tão popular no começo - em que aderiu à Nação adotiva - e tão hostilizado no fim quando parecia ter renegado a democracia que anunciara. Sobre os desacertos e os infortúnios, agiganta-se o gênio de condutor das massas,o fulgor da estrela cívica, que lhe iluminou a jornada, em ambos os continentes.

Por mais que o discutissem após sua morte, as suas qualidades sobrepujaram os seus defeitos. Foi formidavelmente providencial, quase adolescente (nascera em 1798) e ainda moço (faleceu aos 36 anos) aquém e alem-mar. É o Bolivar dos brasileiros é o Condestável dos portugueses. São comparações razoáveis, nas perspectivas da Historia, em que o ideal ismo e a bravura se al iam à oportunidade - de gera r o tempo o indivíduo que deu corpo e alma à coletividade.

Os monumentos que à beira do Oceano, no Brasil e na Europa, celebrizam o "Rei Cavaleiro", equivalem a mensagens imperecíveis recordando-lhe as lutas, as opções, o poder e a glória.

Morreu há século e meio. E continua lembrado e o reverenciamos em todos os 7 de setembro como se continuasse vivo, a cavalo, no punho triunfante a Suprema Lei, irradiando a majestade do patrono da Independência.

PEDRO CALMON Presidente do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro


French translation

II y a cent cinquante ans (le 24 septembre 1834), D. Pedro de Alcântara premier du nom de l'Empire du Brésil, quatrième Pedro dés rois portugais, est mort au Palais de Queluz par coïncidence à la chambre sur les murs de laquellé se voient les scènes grotesques du Quichotte de Cervantes.

Lorsque je racontais sa vie il y a cinquante ans dans un livre de ma jeunesse, je l'ai considéré comme un héros précose qui est devenu immortel chevauchant les grandes crises du siècle, ce pourquoi il est "Le Roi Cavalier". En Amérique et en Europe, les crises ont été de liberté contre l'absolutisme. Ici il a rompu avec la tradition et a accepté l'acclamation naiionale. Là-bas, il stest liberté du passé embrassant la cause de la Constitution. C'est de là qui vient le fait unique au monde d'etre l'homme d'Etat (devant la foule), chef orgueilleux des révolutions permanentes, qui a son monument dans les deux bords de l'Atlantique, à Rio de Janeiro, à la Place Tiradentes, à cheval, et à Lisbonne, au Rossio, élevé sur une colonne corinthienne.

II a été unique dans le respect pour les peuples ayant de langue commune qui ne s'entendaient pas en 1822. Ici, encourageant l'indépendance, là-bas, imposant la Loi, outrelefaitd'avoirplacésurletrônelesfils,D.Pedrolltau Brésil et Maria II, en Portugal. II a ajouté de l'enthóusiasme à la prévision. II a confirmé le destin avec la victoire. II a su commander avec une épee à la main l'indépendance des brésiliens et la transformation des compatriotes; soldat impétueux soit à la colline de l'lpiranga soit à l'encerclement du Port, dans les deux contextes imbu du hasard qui est la règle de la valeur. D'une part (voilà son legs!), il a consolidé l'unité brésilienne, d'autre part, il a fait Portugal avancer déchirant, au nom des lumières de la Civilisation, à l'ancienne colonie et à la métropole decadante, les diplômes d'antam.

En fondant l'Empire, guidé par la sagesse de José Bonifácio de Andrada e Silva, il a tracé entre l'ère morte et les temps nouveaux le pont de la concorde au lieu d'ouvrir comme ailleurs les fosses de la division de la guerre. Sans la solution monarchique de 1822, D. Pedro I proclamé l'Empereur, le pays allait se partager en Etats souverains lançant un défi à la postérité, réunissant difficilement l'imageintégréedelaPatrie,sicelapourraitseproduireun jour. Egalement, en abdiquant à la couronne américaine en 1831, il a ravagé les arsenaux du Moyen Age du Royaume en y implantant les libertés qui ont eté en vigueur en Portugal (Charte de 1826) de manière semblable à celles octroyées au Brésil (Charte de 1824).

Les erreurs politiques qui ont fini par racourcir son gouvernement si populaire au début - lorsqutil a adhéré à la Nation adotive et si hostilisé à la fin - lorsqu'il semblait avoir renoncé à la démocra:ie qutil avait annoncé - ne comptent pas. A propos des erreurs et des adversités, grandissent le génie de conducteur des foules et l'éclat de l'étoile civique qui lui a illuminé le chemin dans les deux continents.

Leur qualités ont dépassé leur defauts, bien qu'il ait éte très discuté après sa mort. Ici et outre-mer, presque adolescent (il est né en 1798) et bien jeune encore (il est mort avec 36 ans), il a été remarquablement providentiel.

C'est le Bolivar des brésiliens, le Connetable des portugais, dans une perspective historique, ce sont des comparaisons raisonnables où l'idéalisme et la bravoure s'unissent à l'occasion, pour l'individu qui a donné corps et âme à la collectivité, d'engendrer le temps.

Les monuments qui, au bord de l'Océan au Brésil et en Europe, célèbrent le "Roi Cavalier", équivalent à des messages impérissables rappelant les luttes, les alternatives, le pouvoir et la gloire.

II est mort il y a un siècle et demi. Et il continue à être rappellé, et, tous le 7 septembre, nous le respstons comme s'il était encore vivant, à cheval, avec le poing triomphant de la Suprême Loi irradiant la majestuosité du patron de l'lndépendance.

PEDRO CALMON Presidente do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro



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